Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘restauração’

Muitos amigos têm reclamado que nunca mais escrevi em meu blog. Tem razão. Este blog, por muitas vezes pra mim foi mais do que um mero meio de me comunicar… Foi um meio de provar a mim mesma que continuava viva, respirando, pulsando… E mesmo quando não consegui por um tempo escrever, pois muitas vezes a dor faz com que nos faltem mesmo os pensamentos, emprestei de outros as palavras que publiquei: textos, poesias, listas, mas… ultimamente nem isto.

Nada.

Não que não pense, não desenhe em minha mente o esboço do que escreveria, dava-lhe a forma em meu pensamento, mas, na hora de colocar para fora de mim, desistia, passava a bola, virava a página, deixava pra uma outra vez , quem sabe???

Estava em minha fase de casulo, onde a lagarta tem que se concentrar em se tornar borboleta, ou…    desistir de vez.

Comecei espichando uma perna pra fora – lecionando para algumas alunas, depois, quem sabe, esticando uma asa – vendendo alguns trabalhos, ou uma antena quem sabe? – me sentindo mais confiante em minha comunicação? A saída do conforto do casulo é difícil. Mas aos poucos o espaço se torna apertado demais para conter o novo ser que ali vem se apresentando, e aos poucos ressurgindo, transformado.

Eu sempre gostei de um bom papo, de gente interessante, que tem algo pra dizer, de dar boas risadas, fazer barulho, cantar bem alto e me sentir feliz… Tenho uma natureza muito barulhenta, vocês não sabem, eu disfarço bastante…

Recebi e-mails carinhosos de gente sentindo minha falta, de gente que nem me conhecia dizendo que o que eu escrevia tinha alguma coisa a comunicar… hummmmm, sei…

E onde eu estava? Quem era esta que estava habitando a minha casca? Por que me acostumei em ser lagarta por tanto tempo? E agora???

Há alguns anos atrás, fiz uma pós-graduação em Artes Plásticas, modalidade Aquarela sobre papel, e, como encerramento de curso precisei apresentar uma monografia acompanhada de um trabalho plástico – dez aquarelas representativas de meu trabalho. Mas foi muito difícil decidir sobre o que escrever, e, pior, o que pintar??? Acabei colocando em letras e tintas o tema que me acompanhava desde muito tempo, tentando entender o universo feminino, meu universo, as mulheres que embora saiam pro trabalho e pra vida, ainda vivem presas dentro de si mesmas, sem voz, sem expressão, como prisioneiras na sua própria torre, sem defender o seu valor, mas com uma consciência de que alguma coisa está errada, e …elas pensam!!!… Chamei minha monografia de “O Resgate do Eu”. Queria com meu trabalho plástico capturar este momento dessa tomada de consciência, – nem mesmo eu havia percebido que uma parte de mim mesma também se sentia aprisionada…. Hoje sei que minha procura por essa essência feminina perdida, adormecida, amordaçada começou há muito tempo.

Aí encontro mulheres, que como eu também encetam essa mesma busca, cada uma à seu modo, a busca do Sagrado, da essência divina que habita em nós, a essência primitiva das mulheres que correm como os lobos, que são livres e selvagens.

O caminho para o encontro da mulher natural, como deveria sempre ser, selvagem (nomeada assim por Clarissa Pinkola Estés), é muitas vezes difícil, torto, incompreendido. Cada uma de nós o percorre de uma maneira, mas é certo, que esse regate da figura feminina criadora, geradora de poder, sábia, cúmplice de seus pares, uma hora ou outra acaba acontecendo. Esta mulher que volta às raízes de seu ser muitas vezes se manifesta e vem à tona ao desenvolvermos trabalhos manuais, onde, em círculos, desde tempos remotos, mulheres compartilhavam mistérios enquanto teciam, pintavam , escreviam, instruíam suas filhas nas artes da cura e do alimentar sua família.

Hoje, ao ensinar patchwork – a arte de unir retalhos – sinto uma poderosa corrente de energia que me liga às minhas alunas e às outras mulheres que vieram antes de mim; compartilho informações técnicas, mas também transmito uma parte desse elo sagrado que é o compartilhar pessoas. Dizemos mesmo que o patchwork é a arte de unir retalhos, unindo pessoas. É verdade. O retalho é um pedaço cortado de um tecido maior, que se une aos outros retalhos de outros tecidos de maneira delicada, bela, e compõe com eles o novo tecido – há uma transformação. Assim, como o retalho de tecido, as vidas das mulheres recortadas e costuradas de novo, ajuntadas, vem nos transformar em uma bela rede, ou teia de mulheres, um tecido delicado,  que nos torna mais fortes, pois unidas. O nosso elo sagrado, a porção divina que em nós habita, é compartilhado e nos revigora, trazendo-nos de volta à nossa essência.

O grupo nos fortalece, pensa as feridas, promove a cura da alma. O resgate do Eu tem um preço. Mas vale a pena, quando a alma de novo sente impulsos para voltar a dançar e cantar livremente…

Anúncios

Read Full Post »

Tem sempre presente que a pele se enruga, o cabelo

embranquece, os dias convertem-se em anos…

Mas o que é mais importante não muda;

A tua força e convicção não têm idade.

O teu espírito é como qualquer teia de aranha.

Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.

Atrás de cada conquista, vem um novo desafio.

Enquanto estiveres viva, sente-te viva.

Se sentes saudades do que fazias, volta a fazê-lo.

Não vivas de fotografias amarelecidas…

Continua, quando todos esperam que desistas.

Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.

Faz com que em vez de pena, te tenham respeito.

Quando não conseguires correr através dos anos,

Trota

Quando não consigas trotar, caminha.

Quando não consigas caminhar, usa uma bengala.

Mas nunca te detenhas!!!.

Madre Teresa de Calcutá

Read Full Post »

…pode haver época em nossa vida em que ocorra uma mudança total , quando a gente leva um tombo e tudo fica de cabeça pra baixo…. mas depois a gente para e começa a perceber que de cabeça pra baixo é que era o lado certo da vida, …e a gente segue em frente.
. Selma.

Read Full Post »

Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,

pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,

eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.

E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas

supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho

entre luzes brandas e músicas invisíveis. 

2008 049

Read Full Post »

Hoje tomei contato com este lindo texto de Edson Marques, que vem sendo divulgado como sendo de  Clarice Lispector, que fala de mudanças, do novo, do novo olhar, do novo sentir, de como obter este novo olhar…   Divido então com voces este texto, que não é meu, mas queria muito que tivesse sido, assim como desejo que seja de cada um de voces….

 

“Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama…
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de TV,
compre outros jornais…
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado…
outra marca de sabonete,
outro creme dental…
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.

Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem
despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda!

Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale à pena!!!! 

Read Full Post »

Estou recomeçando lentamente minhas atividades no ateliê. Uma cirurgia no joelho esquerdo me deixou de muletas por um bP1000972om tempo, mas não consigo ficar parada, sem ver as amigas, sem estar no meu cantinho…. embora ainda não consiga ficar por muito tempo.

Estamos com um grupo de bordados muito bom , com a orientação da Sonia Bianco, que foi aluna da Sávia Dumont, e também já era bordadeira por mãe , avó, tias, portuguesas, e andamos bordando a vida!!!!!
Tem sido uma experiencia muito rica!!! A tarde passa rápidamente, e os trabalhos estão crescendo!!!
Nossa próxima reunião será na sexta, dia 24/07, 14hs em meu ateliê.
Não quer aparecer?????
bjim

Read Full Post »

Preciso dividir com vocês, neste espaço virtual, a minha participação em dois eventos no espaço dos últimos dez dias. Cada qual, à sua maneira, ao mesmo tempo desafiador e emocionante

O primeiro deles foi o II Encontro de Mulheres Contemporâneas, dia 18 de junho, idealizado por Ana Maria Leandro, onde em um auditório belíssimo participei como ouvinte, durante manhã e tarde, de uma série de palestras e debates sobre temas muito interessantes, com palestrantes muito carismáticos.

Tivemos um primeiro painel sobre Responsabilidade Pessoal: carreira, ascensão profissional, exercícios de vários papéis, com J. A. Gaiarsa (psiquiatra, especialista em gente!), Luis Grottera (consultor de marketing, e especialista em estratégias Blue Ocean), Dimitri Salles (advogado, especialista em direitos humanos).

O segundo painel foi sobre Resiliência nos Relacionamentos, que eu não sabia, mas aprendi que se trata da capacidade de suportar as pressões negativas. Quem nos falou foi Maria Lúcia Pettinelli (engenheira e administrador, coach especializada em carreira), Beatriz Cullen (farmacêutica, especialista em marketing de relacionamentos) e Michelle Ratton (professora universitária especialista em mediação de conflitos). Os temas tratados foram auto-realização, os jogos territoriais enfrentados no trabalho, e os cuidados com armadilhas a que estamos sujeitos.

No terceiro e último painel foi falado sobre a Saúde e Sustentabilidade Emocional, ou seja, em todos os sentidos: física, emocional, sexual e financeira, tivemos as palestras de Betty Almeida(médica, especialista em Programas de Qualidade de Vida), de Carla Cecarello (psicóloga, especialista em sexologia) e Mara Luquet (jornalista, especialista em finanças e economia).

Claro que num encontro desses, sendo a maioria mulheres, ainda tivemos divertidos sorteios de lindos brindes doados por algumas empresárias que participavam do evento, livros do Dr. Gaiarça e de Mara Luquet, degustação de vinho, patês, lanchinhos, docinhos, e uns brigadeiros de comer babando… e depois correr pra academia…

Foi um dia muito especial para todas que puderam participar, e aqui eu agradeço especialmente minha prima Márcia Bueno, que me convidou para o encontro. A quem não foi, recomendo que fique de olho pois foi prometido para o ano um terceiro encontro, e sei que vai valer à pena!!!

 

O segundo evento que participei foi de outra natureza, um vernissage, ontem à noite, uma linda exposição que teve a curadoria de uma querida e muito competente amiga, Daisy Estrá, e ocorreu na Galeria Marta Traba, do Memorial da América Latina.

Trata-se de “VIAGEM NOTURNA – Arte Indígena: Preservação”.

Vocês não podem perder de nenhuma maneira! A exposição abre para o público hoje, sábado, e vai até o dia 3 de agosto.

A exposição está belíssima, e trata-se de um valioso acervo de arte indígena que está temporariamente sob a guarda do Memorial, (mas ainda está sob a responsabilidade do juiz federal da sexta vara criminal, especializada em crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de valores).

O acervo chegou em más condições de conservação ao Memorial, com insetos e fungos, então Daisy traçou um plano para com  sua equipe recuperar a beleza original das peças que agora estão na mostra.

Foi criada uma ambientação na galeria com luz adequada, som ambiente, e atmosfera como se tivéssemos sido transportados para uma grande oca construída ao redor de uma generosa árvore. As peças expostas pareciam flutuar no ar, os lindos cocares com suas penas multicoloridas, cestarias, esculturas, armas de guerra, e um filme muito lindo sobre o povo indígena chamado Xingu Terra, que também foi restaurado, fazia-nos sentir como parte de uma aldeia.

É uma exposição que mexe com nossas raízes brasileiras, que fala de povos que vem sendo aculturados ao longo dos anos, e daí a importância da preservação de sua arte e cultura originais.

Read Full Post »