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Archive for setembro \20\UTC 2008

  É difícil encontrar uma amiga que é:

96% Talentosa

97% Engraçada

98% Amorosa

99% Inteligente

e

100% Carinhosa

 

Então…. 

 

 

Não me perca…

Há alguns anos tomei conhecimento que havia um grupo de mulheres que se vestia de roxo e usava um chapéu vermelho.

A princípio pensei que fosse apenas folclore, ninguém no seu juízo perfeito sairia de fato fantasiada por aí, em público, chamando a atenção sobre si. Pensei que fosse apenas o poema “Warning” de Jenny Joseph, que alguém, por brincadeira, pretendeu fazer igual.

Mas não, elas de fato existem, são milhares, espalhadas por mais de vinte países, organizadas (veja bem: elas possuem lojas, se organizam em pequenos grupos com uma rainha), mulheres que apenas saem para se divertir, rir muito de si mesmas, celebrar a vida. Mas tem um detalhe: é preciso ter cinqüenta anos para poder usar o chapéu vermelho e vestir púrpura, como um ritual de passagem, sabe? Um direito adquirido para pensar, agir e fazer o que quiser, claro que com muita elegância e decência, sem se importar com as opiniões alheias, coisa que sempre nos deveria nortear, mas só a sabedoria da maturidade parece permitir.

Depois de me divertir muito numa loja da Sociedade do Chapéu Vermelho, experimentando todos os modelos de chapéus possíveis e mais loucos imaginados, acabei comprando um para mim, afinal estávamos num grupo, nos divertindo, rindo muito. Me deu uma vontade de que aquele momento ficasse marcado. Que aquele simbolismo de liberdade pudesse ser tornado concreto. Consegui traduzir adquirindo um chapéu vermelho, modesto, sem muitos enfeites e não muito caro, lógico, digno de um momento feliz, de uma brincadeira prazenteira, mas cheio de promessas embutidas nele, pois fato inevitável, eu envelheceria, e minha hora de fazer 50 chegaria, como sempre chega para todos. Secretamente aguardei esse momento, como se o direito de usar o lindo chapéu estivesse ainda distante para mim, no futuro, me aguardando.

Outro fato inevitável: eu jamais gostaria de perder o meu bom humor e a capacidade de me divertir comigo mesma. A idade cronológica raramente corresponde à idade que se sente. Como diz a Tirene, eu sou constante, e há 50 anos faço aniversário no mesmo dia. Mas como o Vô Beco dizia também, continuo me sentindo com 15 anos, e espero corresponder à minha juventude sempre, nunca perder o brilho em meu olhar.

Sempre investindo no lado positivo da vida, me reinventando cada dia, me redescobrindo, me encontrando, criando, rindo, cultivando amigos queridos, curtindo os momentos, reivindicando o direito de ser feliz, pois como disse alguém: se for pra chorar que seja um dilúvio, e se for pra rir que seja até doer a barriga, nada de meios termos, de vidinha meia boca.

 

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 Tem gente que gosta de gatos. Elegantes. Refinados. Donos do próprio nariz e donos daqueles que se acham seus donos. Não atendem aos chamados, a não ser que lhes seja interessante. Não ligam pra visitas, ignoram. Zelam só por si. Não fazem festas barulhentas quando felizes apenas miados discretos. Não dão lambidas molhadas de alegria, são finos.

Tem gente que adora pássaros. Ou tem nos perto de si em gaiolas para cuidar e ouvir seus trinados, ou apenas gostam de observá-los, sentados em varandas, ou ainda se embrenham pelas matas, munidos de binóculos a observar seus hábitos.

 Tem quem seja louco por jabuti, ou hamster, ou coelhos, cobras, lagartos e mesmo aranhas.

Eu gosto mesmo de cachorro. Concordo com a propaganda que diz que “Cachorro é tudo de bom”. Concordo mesmo. Tanto concordo que tenho três. Três salsichas, ou teckel, como queiram. Adoro a festa barulhenta que fazem quando chego em casa, as lambidas festivas que ganho, o amor incondicional que recebo,  o ciúme da minha pessoa, como se eu pertencesse só a eles, e da mesma forma deva ser devotada. A exigência dos carinhos nas suas costas. O mau gênio demonstrado aos estranhos que chegam a nossa casa, que depois de devidamente “apresentados”, na maioria das vezes, tornam-se alvo de demonstrações mais afáveis. Ao convite “vamos trabalhar?” correm todos para a porta do ateliê e ficam esperando que seja aberta para subirem a escada correndo e se ajeitarem aos meus pés, pacientemente, enquanto trabalho. Se, ao chegar a noite, me demoro mais do que o costume, sou severamente advertida por insistentes latidos que “a hora do expediente já acabou, precisamos descer e nos acomodar no sofá, fazer trabalho manual, e ver televisão”. A Sally acomodada no meu colo sob o trabalho, o Billy colado ao meu lado direito, e o Monet sentado no canto do sofá, apoiando seu braço na lateral do sofá, com pose de lorde inglês. Sempre foi assim. Desde que o Pequeno Billy ficou triste e sozinho quando sua companheirinha Tutty morreu, e decidi buscar-lhe uma nova companhia, uma cadelinha tímida e quietinha que havia visto na vitrine de uma loja. Tímida e quietinha…, pois sim, num instante aquele fiapinho de cachorro tomou conta do entristecido Billy, tomou conta da casa, e decidiu que éramos todos dela!!! De bom grado aceitamos, nós os humanos e o Billy, encantado que estava com a agitadíssima figura. Não preciso contar que num instante a família aumentou, e vieram três lindos filhotes, que tive a honra de ajudar no parto: a Frida, o Zeca (hoje Scoobyloo), e o Monet. Foi impossível afastar o Billy da prole, tão feliz ele estava que queria entrar no ninho toda hora!!!! O tempo foi passando, Frida e Zeca seguiram seus caminhos, e o Monet ficou conosco.

Não chega a completar um mês que descobrimos que o Billy tinha um sério problema cardíaco.

A princípio não julgávamos tão sério, uma vez que demonstrava um leve cansaço e emagrecimento, e nem tinha tanta idade assim, estava com 9 anos. Foi logo medicado, mas não melhorou, e com os exames descobrimos que as válvulas de seu coraçãozinho estavam muito comprometidas, irreversivelmente, e o cardiologista chegou a dizer que não daria pra prever se ele duraria uma semana, um mês ou dois, mas não seria muito. Ficamos todos muito abalados com a doença dele, mas jamais esperamos que se fosse tão rápido. Na sexta feira fui acomodá-los para dormir, e ele como sempre rosnou pra mim, pois só entrava na casinha quando ele queria, não adiantava insistir. Estava bem. Acomodou-se, cobri-o, apaguei a luz e encostei a porta.

Foi encontrado na manhã seguinte já morto.

Não dá pra explicar o sentimento de impotência que nos invade, a dor da perda do companheirinho, esquecer seu olhar penetrante e apaixonado, como que querendo falar conosco, (muitas vezes ele me fazia entender o que ele estava querendo), sua vigília sempre ao meu lado, sua tristeza quando eu me ausentava por um período maior (uma vez depois de voltar de viagem, após os carinhos e as lambidas, recebi do Billy vários rosnados sentidos, ele estava bravo!).

Meu doce amiguinho se foi, e venho aqui prestar a ele minha homenagem, pois foi sempre um bom cachorro, genioso sim, dono de forte personalidade, mas não se envolvia em questões banais, apenas quando era afrontado, ameaçado, ou sentia ameaçados os que amava.

Ao Billy todo meu amor!

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