Hoje recebi este texto atraves de uma amiga querida. É incrível como de repente encontramos alguém que nos “fala” tudo o que realmente estamos pensando, que se importa com as mesmas coisas que andam povoando nossas idéias…. então publico pra que voces tenham contato com as idéias do Rubem , que hoje faço minhas….
O essencial faz a vida valer a pena.
‘Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de’confrontação’, onde ‘tiramos fatos a limpo’.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: ‘as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão-somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.’
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…





Recebi esse texto poético, belo e essencialmente fundamental
para iniciar meus 53 anos no dia 20 de outubro, de um amigo
muito querido, conhecia textos, idéias e partilho de várias das
mesmas opiniões de Rubem Alves, mas “O Tempo e as
Jabuticabas” ainda não havia lido e encantei-me profundamente com ele, então, vim atrás de mais e mais, tal
é minha sede de encontrar brasileiros que comunguem idéias
como as minhas… e com Rubem Alves vou tranqüila, com ele
já andei visitando a Escola da Ponte, já andei trilhando vários
caminhos que como professora ha 32 anos, continuo dizendo
“sejamos realista e façamos o impossível” que esse nosso
jeito de pensar e andar ainda vai nos levar lá longe.
Demora?… mas chega…há de chegar lá sim…