
Minhas idéias e meus trabalhos não nascem prontos. Precisam de um tempo para atingir a maturidade dentro de mim antes de se manifestarem publicamente, seja um texto, um bordado, um quilt, uma aquarela, tudo tem seu tempo de preparação interna antes de aflorar. Esse é o meu processo criativo. Depois de a idéia nascer eu preciso ainda ruminar muito para que ela comece a ser trabalhada.
Então hoje estou aqui no meu ateliê, nesta tarde quente, tentando colocar em palavras meus sentimentos sobre os últimos acontecimentos de minha vida, minha alegria de ter construído um espaço meu, contar como foi importante participar da exposição de aquarelas, de como me diverti “pintando e bordando” meu trabalho, como foi necessário imaginar e realizar uma cortina de pedaços, e bordar com linhas fortes e vivas as cores de minha nova vida.
O retorno ao mundo das artes plásticas me fez um bem enorme; encontrar os antigos companheiros de aquarela, da jornada da pós-graduação, ver trabalhos maravilhosos, ter gratas surpresas quanto ao rumo que a arte de alguns tomou, um modo inovativo? Inusitado? Não sei! Deliciosamente plástico. Mostrar a meus pares minha arte, a aquarela resultante de meu bordado sobre papel, o modo lúdico como decidi voltar à pintura, aliada a experiência adquirida nos anos de prática com as linhas, o quilting, o domínio da mão sobre a máquina de costura, a habilidade adquirida no bordado… Adorei ver que meu trabalho causou surpresa… Adorei ver que amigas ligadas às linhas e retalhos foram me prestigiar indo a vernissage da exposição de aquarelas…
Depois, a expectativa da inauguração do ateliê, a correria para que tudo estivesse pronto a tempo, a idealização, o apoio da amiga Daisy me ajudando com dicas e idéias práticas, o encantamento ao me deparar com exatamente os móveis que estava precisando, a presteza da amiga Raquel, que na ultima hora pintou duas lindas peças porta revistas para mim, e o carinho da Cleide, que embora de viagem marcada, não deixou de me apoiar.
Mas, mais do que tudo, foi precioso poder contar com o apoio de meu maridão em todas as etapas deste processo, desde a procura do imóvel, a ajuda na escolha dos móveis e das cadeiras, até mesmo a providência de água para meus convidados, esteve sempre atento aos detalhes que muitas vezes me passavam desapercebidos.
Foi importantíssimo poder contar com a Flávia, minha filha, na organização do espaço, e na recepção dos móveis. Também o carinho da Marília, minha filha, e do Maurício, meu genro, que fizeram questão de estar comigo neste momento. Receber os amigos e familiares que vieram confraternizar comigo, na minha “casa nova” me encheu de alegria. Mostrar o espaço, falar de planos, de aulas e parcerias que pretendo fazer – uma já em andamento, trata-se de workshop de bichos de pano da Dedé Dischinger, da Calandra Country – Arte em Pano, Canela RS, que vai acontecer aqui no ateliê. Em breve divulgo data e hora, mas se você estiver interessada, vá se preparando para guardar seu lugar. A aula sobre “Teoria das Cores aplicada ao Patchwork” que ministro também deve acontecer em breve.
Estou agora na fase de tomar posse de fato do espaço criado, trabalhar no novo quilt, receber minhas alunas, e ir aos poucos me adaptando, me encontrando, me descobrindo, fazendo
o ninho, como quando a Sally, minha cachorrinha teckel, está com sono, e ajeita várias e várias vezes a manta antes de se enrolar e dormir. É preciso “formar” o ninho, se aconchegar, e isto é um processo que toma algum tempo. Só digo que me sinto muito bem aqui, muito feliz, criativa, e espero seguir assim, sempre, “pintando e bordando”…..





Olá, gostei muito do seu depoimento e fiquei interessada em ver seu trabalho de bordados sobre papel.
Naia
Olá Naia, obrigada por sua visita!
Essas aquarelas bordadas estão no meu album flicker – minhas aquarelas, que voce pode acessar à partir desta página em “more photos”, ou seguindo o link http://www.flickr.com/photos/25305789@N02/2922055100/in/set-72157605075980491/
um abraço, Selma