“aos meus pais por ocasião de suas Bodas de Ouro”
Quando somos pequenos as lembranças se fixam como quadros, pequenas pinturas, pequenos retratos da vida que levamos.Coisas que, por sua grandeza, ou insignificância, marcaram aquele momento vivido.
Assim foi com o dia em que resolvi subir na enceradeira e liga-la! O pavor daqueles momentos frenéticos até que a mamãe me salvasse ficou gravado pra sempre.
Nossas cabanas feitas de cobertor entre camas e cadeiras proporcionavam horas de distração, e mamãe permitia que aquele nosso refúgio ficasse montado, às vezes, por dias.
Cheiro de chuva até hoje me lembra aquelas tardes escuras, de chuva caudalosa, quando a mamãe nos colocava na janela para espiar a chuva, a correnteza que se formava no meio fio, os pingos escorrendo pelo vidro. Ficávamos os quatro quietinhos, reverentes admirando a tempestade.
Assim como cheiro de mixirica cravo me lembra nossa casa de Rio Claro, com seu quintal misterioso, onde moravam marimbondos, e o quanto me sentia protegida quando o papai estava perto, como se os bichos não pudessem me picar.
Lembro também do profundo alívio do papai quando chegou em casa, dia 31 de março de 1964, e nos encontrou lá, todos bem. Me abraçou muito forte, como se tivesse me perdido…e eu sem entender nada do que estava acontecendo. Ainda posso sentir seus braços me apertando.
Tivemos muitos bons momentos juntos: papai e mamãe se esforçaram e nos levaram a viajar pelo país, pois era importante conhecer a nossa terra: o sul, o nordeste, Minas Gerais, Brasília.
Na nossa primeira viagem fomos de fusca, literalmente disputando o espaço – conseguíamos dormir, os três pequenos, no banco de trás.
Vimos, literalmente, a construção da estrada que vai de Ponta Grossa à Foz do Iguaçu. Sabemos bem de todo o barro e da terra vermelha que hoje se esconde sob o asfalto.
Dormimos, uma vez, em um forte transformado em hotel, que parecia um castelo, bem perto do Chuí. Lá a mamãe levou um susto enorme, ao se ajeitar entre as cobertas e esticar os pés: Havia algo quente lá, ela pensou que fosse um gato… e deu um grito! …Mas era só uma bolsa de água quente!
Comemos pinhões assados na grimpa com os caminhoneiros que também estavam hospedados em um pequeno hotel à beira da estrada no interior do Paraná.
Conhecimento sempre foi muito importante, as leituras obrigatórias, o entender os livros primordial.
Quando estávamos na nossa adolescência chegou o Ricardo, que já não poderia ser parceiro de nossas bagunças infantis, era outra época.
Mas não menos divertida, pois pude leva-lo à faculdade para que minhas colegas conhecessem meu irmãozinho, ou leva-lo ver Branca de Neve no cinema, embora tenha precisado sair com ele assim que a bruxa ficou realmente malvada!
Sempre senti o apoio de você mamãe e de você papai em todas decisões que tomei. Sempre recebi bons conselhos e ponderações. Sempre me senti muito respeitada e acolhida em minhas resoluções.
Quando decidi me casar, quando chegaram minhas filhas, nos meus grandes momentos sempre os tive por perto.
Vocês são muito importantes para mim.
Selma.





Mãe,
Você, assim como sua monografia, é uma grande fonte de inspiração e sempre foi. Uma mulher como você é para ser admirada, respeitada e amada.
Sou muito feliz por ser sua filha, te amo.
Flávia.
Selma,
“Tal como as sequóias, nós somos seres com poderes infinitos, precisamos apenas que alguns raios nos ataquem para conhecermos nossa força.”
Muitas vezes….os obstáculos parecem intransponíveis…Mas com fé e determinação, descobriremos que somos maiores que tudo isso e, no final, celebraremos nossas conquistas…nossas vitórias.
Que bom!!! Acreditou em você e acredita no que está fazendo!!!
bjos
Liz