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Hoje, sexta feira chuvosa e feia, recebi este texto de Danusa Leão, por email, de uma amiga querida….

Aproveitem a leitura…. 

 

Duas bolas, por favor – Danuza Leãoist1_1435869-ice-cream

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.

Uma só.

Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.

A gente sai pra jantar, mas come pouco.

Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.

Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de ‘fácil’).

Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.

Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.

Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.

E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em ‘acertar’, tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação…

Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão…

Às vezes dá vontade de fazer tudo ‘errado’.

Deixar de lado a régua,

o compasso,

a bússola,

a balança

e os 10 mandamentos.

Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.

Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: ‘Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora’…

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.

Um dia.

Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga:

cinco bolas de sorvete de chocolate,

um sofá pra eu ver 10 episódios do ‘Law and Order’,

uma caixa de trufas bem macias

e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK?

Não necessariamente nessa ordem.

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago  . . .

Bordando a Vida!!!!

Algumas amigas pra conversar…

Uma tarde gostosa, onde o tempo passa muito rápido …

Cheiro de café, umas bolachinhas, quem sabe um bolo de maçã?…

Uma porção de linhas e uma vontade enorme de colorir o próprio mundo com fios das mais diversas cores…

É muito do universo feminino estas tardes de troca, que muitas e muitas vezes um dia já aconteceram sob uma frondosa árvore, ao pé de um fogão de lenha, ou quem sabe numa confortável sala de estar de alguma grande fazenda….

Hoje em dia fica mais difícil, a vida é muito mais agitada, …o fogão à lenha nem existe mais aqui na cidade!!! E,  mesmo as árvores que temos por perto, coitadaso-2s, nem são tão frondosas assim…

Quanto à fazenda… bem, vai ter que ficar pro feriado, não é???

Mas esta cartinha, é pra contar pra você que dentre as novidades que pretendo introduzir em meu ateliê neste semestre, a primeira será uma tarde de bordados…. aqueles bordados maravilhosos que nossas avós faziam , colocados em um projeto pessoal, onde você vai desenvolver o seu tema,  a história de sua vida, através dos bordados… Será uma jornada deliciosa por este mundo tão particular, aprendendo pontos novos, aplicando-os em seu projeto pessoal, levando o conteúdo aprendido para trabalhos em Patchwork, feltro, enfim, para suas atividades.

Venha fazer uma experiência. As aulas serão dadas pela artista plástica Sonia Bianco, e, a princípio devem ocorrer uma vez por mês. Traga as suas linhas, lãs, agulhas de todos os tamanhos, tesoura e um pedaço de linho ou linhão medindo 50 x 50 .

A primeira aula será dia 7 de maio, quinta feira, das 14 às 17 horas, com direito a bolo e café!!!

 

Local : Ateliê Selma Dias

Rua Cotoxó, 303 – cj 98

Fone : 3673-2413 e 99836707

Perdizes – São Paulo

Início – dia 7 de Maio

Horário : 14 às 17 horas .so-1

Valor : R$40,00 a aula .

Contatos de Sonia Bianco:

www.soniabiancoartes.blogspot.com

www.flickr.com/people/soniabiancoartes

 

Aguardo você!!!!

Bolo de Maçãs

Conforme o prometido a minhas alunas, aqui vai a receita de um bolo delicioso que sirvo no ateliê.

 

1.    Corte 5 ou 6 maçãs pequenas em cubos e misture com uma colher de açúcar e canela a gosto (se desejar, junte uvas passas e deixe de molho uns minutos em alguma bebida forte – vinho do porto, rum, conhaque-)  – reserve. 1543355397_22689d5269_m1

2.   2 ovos+ uma xícara de óleo+ as cascas das maçãs+ 2 xícaras de açúcar = bata no liquidificador – reserve.

3.   Em uma tigela coloque 2 xícaras de farinha de trigo + 1 colher de sopa de fermento.

Misture bem e junte com  as outras partes reservadas.

 Coloque em uma forma untada, espalhe um pouco de açúcar e canela por cima, leve ao forno quente.

 Obs: costumo assar duas formas de pão, assim tenho dois bolinhos!!!

 

 se gostar, deixe um recadinho!!!

 

Meu legado

Deixo a quem quiser utilizar, o meu legado.  Estas coisas singulares que me emocionam e me fazem sorrir. Ecologicamente corretas, reutilizáveis, democráticas, essenciais para tempos de crise, econômicas, altamente satisfatórias.

Desfrutem.

 

Cheiro de mixirica cravo;

Grama orvalhada na sola dos pés;

O cansaço de um atleta ao final da corrida;

A brisa da manhã;

Calor de um fim de tarde;

Noite de lua cheia;

A majestade das florestas;

Toque macio dos cabelos nas mãos;

Canto da sabiá;

Pacote de presente fechado;

Andar bobamente pelas ruas;

Aroma de pêssegos;

Árvore de Natal enfeitada;

Riso de bebê;

Piscadela furtiva;

Envolver-se com o mar até os cabelos;

Sorriso maroto;

Desabrochar misterioso de uma flor;

O languido compasso de um rio;

O calor de uma mão amiga;

O por do sol no mar;

Sacola cheia de surpresas;

Cadência de uma dança;

Um cachorro tomando banho de sol;

O som do vento;

O peso de uma chuva de verão;

Minha lista não está completa, por isso não estranhe se você voltar algum dia a este texto e perceber que outros ítens foram acrescentados. A vida é um eterno aprendizado de se saber beleza, onde antes nada se via.

Selma Dias

 Queridas amigas e alunas!!!! 

É com o maior prazer que venho divulgar as próximas aulas especiais em meu Ateliê : 
 
 Coelhajulia Júlia – com a profª Dedé Dischinger

A Páscoa está chegando! Vem com chocolate e… e….. coelhos!

19 de março – Valor: 90,00
Horário: das 13h às 17h
Todo o material está incluso (tecidos cortados e fechados, plumante, acessórios, molde, passo-a-passo, foto). Você apenas deverá trazer suas canetinhas para a carinha, linhas, agulhas e muita ALEGRIA.
Corfirmação deste workshop com a Dedé! (são poucas vagas…) pelos telefones: 11-24782057 / 11-96320006
www.flickr.com/photos/calandracountry
Obs: se você não puder vir, a profª tem a apostila e também o kit com material+apostila. faça contato.

 

Aula: Aplicação em feltro – com as profªs Hila Leslie e Vanessa Lott 
I MPERDÍVEL as meninas do Rio em São Paulo!!!!!!
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Para quem não conhece ou não gosta da “dobra com a agulha”, esta  técnica é fácil e de resultado imediato.
Pré-requisito: não há
Dia: 15/04  quarta feira,
Horário: 9 às 12:00 h – vamos nos ocupar antes do horário da feira!!!!!!
Material:
·         Material usual para costura
·         Agulha corrente número 7
·         O restante do material deverá ser adquirido com as professoras por R$ 10,00
Para esta aula a reserva de vagas é feita comigo, pelos telefones 11 99836707 ou 11 36732413

  Gatinha – profª Dedé Dischinger

dia 16/04 das 9h às 13h.
Sairemos do workshop diretamente para a feira do São Luis: www.brazilpatchworkshow.com.br/. logo a foto estará nos blogs, da Dedé e no meu.- será uma gatinha linda! ainda está sendo finalizado o projeto… Neste ano a Dedé não estará expondo na feira do São Luiz.

Local: Ateliê Selma Dias – Perdizes – SP- tel: 11 99836707 e 11 36732413 – POUCAS VAGAS DISPONÍVEIS

Selma Dias

Hoje recebi entre meus e-mails este maravilhoso texto de Rubem Alves, enviado por uma querida amiga. Não consegui deixar de compartilhar com voces. Foi publicado pela Folha online em 26-10-2004. Espero que voce se delicie tanto quanto eu…

Rubem Alves
colunista da Folha de S.Paulo

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões _é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”. Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa _garrafa, prato, facão_ era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.

Por isso _porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver_ eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”…

Rubem Alves, 71, educador, escritor. Livros novos para crianças e adultos-crianças: “Os Três Reis” (Loyola) e “Caindo na Real: Cinderela e Chapeuzinho Vermelho para o Tempo Atual” (Papirus).
Site:
www.rubemalves.com.br

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Receita de ano novo – de Carlos Drummond de Andrade
 


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
 


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
 


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
 

 

 

…lindo poema não???

Tenho pensado já há alguns dias sobre o que escrever aos meus amigos, sobre como responder as lindas mensagens que me chegam desejando Boas Festas, Feliz Natal, Saúde, Paz…

Claro que desejo o mesmo a você!!!! Mas resolvi falar também um pouco mais, e encontrei este poema do Drummond, que vem ao encontro do que tenho sentido ao perceber que este ano está terminando. Se existe uma palavra que encontrei para definir o ano de 2008, foi a palavra reconstrução.

Veja bem, não foi a palavra caos, tragédia, tristeza, se bem que ocorreram muitos fatos que poderiam nos levar a escolher estas palavras de cunho tão negativo.

Não. Definitivamente NÃO!!!

Reconstrução é a palavra.

É a força que tira leite de pedra, que nos leva a recomeçar do zero, que faz com que catarinenses, mineiros e cariocas, não desistam; que aqueles que perderam seus empregos não percam a fé; aqueles que perderam todo o dinheiro com a quebra da bolsa encontrem coragem e se reinventem ;  os que perderam entes queridos busquem na saudade a força pra desenhar o futuro…

É assim que todos os dias devemos nos questionar e avaliar: em que posso ser diferente?, como  levar a vida mais leve?,  o que posso fazer pra que a vida ao meu redor seja um degrau mais satisfatória???

Aí vem a estória de cuidar do nosso planeta, ser ecologicamente responsável, assumir a parte de responsabilidade pelo desmatamento global,  o cuidado com a extinção das espécies, a utilização racional da água…

Mas também me faz pensar nas palavras de Cristo, não as formalizadas pelas religiões tradicionais, mas as palavras simples, o jeito simples que ele tinha de viver, o olhar amoroso que lançava aos que o rodeavam, o cuidado com os necessitados, com o próximo, o que neste mundo globalizado significa todo o habitante deste planetinha, que se tornou extremamente próximo, via internet, TV, jornais,…

Por isso amigo, meu desejo a você neste ano que termina, não só que o Ano Novo comece melhor, que seu Natal seja rico, que você tenha muita saúde, mas também que você tenha sempre um olhar crítico sobre o que pode ser melhorado, reinventado, reconstruído, fortalecido, para que nossa vida aqui tenha um sentido maior.

Com todo carinho,

  

Selma Dias

Voltando de Gramado

 

Queridos amigos, mais uma vez fui a Gramado participar do festival de Patchwork e Quilt, o 11º, e novamente fiquei encantada com os trabalhos que vi por lá… Como nosso patchwork tem progredido, se profissionalizado e encantado todos os visitantes.

 

 

Desta vez, antes do festival ocorreu um seminário de qualificação para julgamento de quilts, ou seja, preparar e embasar pessoas para estarem aptas a fazerem um bom julgamento de peças inscritas em concursos de quilt. Estávamos em vinte participantes sob a orientação de Barbara Broshous, simpática juíza convidada internacional para o julgamento desta edição do festival. Muito claras e preciosas informações ela nos passou, e também a dinâmica de um grande julgamento nos moldes que ocorre em Houston ou Paducah. Foi muito importante participar, ajudando a dinâmica do julgamento, e observando a juíza e seus parecerminha mini colcha roxinha, para a caminha que compreies.

 

Quando terminou todo o trabalho de avaliação e a premiação pude enfim contar que entre as miniaturas, meu trabalho havia se classificado em segundo lugar, uma vez que todos foram avaliados com tarja na etiqueta, e não sabíamos de modo algum de quem eram os trabalhos participantes.

 

O evento em si desta vez aconteceu em um espaço amplo, pertencente à Universidade do

Rio Grande do Sul, com boa iluminação e
 espaço de exposição de trabalhos, e muito espaço para as lojas e circulação das pessoas.

 

 

O clima em Gramado é sempre bom, não importando se sob chuva, garoa, frio intenso ou sol escaldante. Desta vez tivemos frio, garoa e uma forte neblina, dia e noite… Mas não importa, tudo é festa, sempre bom, pois o mais importante é rever os amigos de longe, de perto, rir muito, comer bem e claro, falar sobre Patch… Agora só nos resta esperar pelos próximos festivais.

Hoje!!! – Meus 50 anos.

  É difícil encontrar uma amiga que é:

96% Talentosa

97% Engraçada

98% Amorosa

99% Inteligente

e

100% Carinhosa

 

Então…. 

 

 

Não me perca…

Há alguns anos tomei conhecimento que havia um grupo de mulheres que se vestia de roxo e usava um chapéu vermelho.

A princípio pensei que fosse apenas folclore, ninguém no seu juízo perfeito sairia de fato fantasiada por aí, em público, chamando a atenção sobre si. Pensei que fosse apenas o poema “Warning” de Jenny Joseph, que alguém, por brincadeira, pretendeu fazer igual.

Mas não, elas de fato existem, são milhares, espalhadas por mais de vinte países, organizadas (veja bem: elas possuem lojas, se organizam em pequenos grupos com uma rainha), mulheres que apenas saem para se divertir, rir muito de si mesmas, celebrar a vida. Mas tem um detalhe: é preciso ter cinqüenta anos para poder usar o chapéu vermelho e vestir púrpura, como um ritual de passagem, sabe? Um direito adquirido para pensar, agir e fazer o que quiser, claro que com muita elegância e decência, sem se importar com as opiniões alheias, coisa que sempre nos deveria nortear, mas só a sabedoria da maturidade parece permitir.

Depois de me divertir muito numa loja da Sociedade do Chapéu Vermelho, experimentando todos os modelos de chapéus possíveis e mais loucos imaginados, acabei comprando um para mim, afinal estávamos num grupo, nos divertindo, rindo muito. Me deu uma vontade de que aquele momento ficasse marcado. Que aquele simbolismo de liberdade pudesse ser tornado concreto. Consegui traduzir adquirindo um chapéu vermelho, modesto, sem muitos enfeites e não muito caro, lógico, digno de um momento feliz, de uma brincadeira prazenteira, mas cheio de promessas embutidas nele, pois fato inevitável, eu envelheceria, e minha hora de fazer 50 chegaria, como sempre chega para todos. Secretamente aguardei esse momento, como se o direito de usar o lindo chapéu estivesse ainda distante para mim, no futuro, me aguardando.

Outro fato inevitável: eu jamais gostaria de perder o meu bom humor e a capacidade de me divertir comigo mesma. A idade cronológica raramente corresponde à idade que se sente. Como diz a Tirene, eu sou constante, e há 50 anos faço aniversário no mesmo dia. Mas como o Vô Beco dizia também, continuo me sentindo com 15 anos, e espero corresponder à minha juventude sempre, nunca perder o brilho em meu olhar.

Sempre investindo no lado positivo da vida, me reinventando cada dia, me redescobrindo, me encontrando, criando, rindo, cultivando amigos queridos, curtindo os momentos, reivindicando o direito de ser feliz, pois como disse alguém: se for pra chorar que seja um dilúvio, e se for pra rir que seja até doer a barriga, nada de meios termos, de vidinha meia boca.

 

 Tem gente que gosta de gatos. Elegantes. Refinados. Donos do próprio nariz e donos daqueles que se acham seus donos. Não atendem aos chamados, a não ser que lhes seja interessante. Não ligam pra visitas, ignoram. Zelam só por si. Não fazem festas barulhentas quando felizes apenas miados discretos. Não dão lambidas molhadas de alegria, são finos.

Tem gente que adora pássaros. Ou tem nos perto de si em gaiolas para cuidar e ouvir seus trinados, ou apenas gostam de observá-los, sentados em varandas, ou ainda se embrenham pelas matas, munidos de binóculos a observar seus hábitos.

 Tem quem seja louco por jabuti, ou hamster, ou coelhos, cobras, lagartos e mesmo aranhas.

Eu gosto mesmo de cachorro. Concordo com a propaganda que diz que “Cachorro é tudo de bom”. Concordo mesmo. Tanto concordo que tenho três. Três salsichas, ou teckel, como queiram. Adoro a festa barulhenta que fazem quando chego em casa, as lambidas festivas que ganho, o amor incondicional que recebo,  o ciúme da minha pessoa, como se eu pertencesse só a eles, e da mesma forma deva ser devotada. A exigência dos carinhos nas suas costas. O mau gênio demonstrado aos estranhos que chegam a nossa casa, que depois de devidamente “apresentados”, na maioria das vezes, tornam-se alvo de demonstrações mais afáveis. Ao convite “vamos trabalhar?” correm todos para a porta do ateliê e ficam esperando que seja aberta para subirem a escada correndo e se ajeitarem aos meus pés, pacientemente, enquanto trabalho. Se, ao chegar a noite, me demoro mais do que o costume, sou severamente advertida por insistentes latidos que “a hora do expediente já acabou, precisamos descer e nos acomodar no sofá, fazer trabalho manual, e ver televisão”. A Sally acomodada no meu colo sob o trabalho, o Billy colado ao meu lado direito, e o Monet sentado no canto do sofá, apoiando seu braço na lateral do sofá, com pose de lorde inglês. Sempre foi assim. Desde que o Pequeno Billy ficou triste e sozinho quando sua companheirinha Tutty morreu, e decidi buscar-lhe uma nova companhia, uma cadelinha tímida e quietinha que havia visto na vitrine de uma loja. Tímida e quietinha…, pois sim, num instante aquele fiapinho de cachorro tomou conta do entristecido Billy, tomou conta da casa, e decidiu que éramos todos dela!!! De bom grado aceitamos, nós os humanos e o Billy, encantado que estava com a agitadíssima figura. Não preciso contar que num instante a família aumentou, e vieram três lindos filhotes, que tive a honra de ajudar no parto: a Frida, o Zeca (hoje Scoobyloo), e o Monet. Foi impossível afastar o Billy da prole, tão feliz ele estava que queria entrar no ninho toda hora!!!! O tempo foi passando, Frida e Zeca seguiram seus caminhos, e o Monet ficou conosco.

Não chega a completar um mês que descobrimos que o Billy tinha um sério problema cardíaco.

A princípio não julgávamos tão sério, uma vez que demonstrava um leve cansaço e emagrecimento, e nem tinha tanta idade assim, estava com 9 anos. Foi logo medicado, mas não melhorou, e com os exames descobrimos que as válvulas de seu coraçãozinho estavam muito comprometidas, irreversivelmente, e o cardiologista chegou a dizer que não daria pra prever se ele duraria uma semana, um mês ou dois, mas não seria muito. Ficamos todos muito abalados com a doença dele, mas jamais esperamos que se fosse tão rápido. Na sexta feira fui acomodá-los para dormir, e ele como sempre rosnou pra mim, pois só entrava na casinha quando ele queria, não adiantava insistir. Estava bem. Acomodou-se, cobri-o, apaguei a luz e encostei a porta.

Foi encontrado na manhã seguinte já morto.

Não dá pra explicar o sentimento de impotência que nos invade, a dor da perda do companheirinho, esquecer seu olhar penetrante e apaixonado, como que querendo falar conosco, (muitas vezes ele me fazia entender o que ele estava querendo), sua vigília sempre ao meu lado, sua tristeza quando eu me ausentava por um período maior (uma vez depois de voltar de viagem, após os carinhos e as lambidas, recebi do Billy vários rosnados sentidos, ele estava bravo!).

Meu doce amiguinho se foi, e venho aqui prestar a ele minha homenagem, pois foi sempre um bom cachorro, genioso sim, dono de forte personalidade, mas não se envolvia em questões banais, apenas quando era afrontado, ameaçado, ou sentia ameaçados os que amava.

Ao Billy todo meu amor!

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